Sonha em fazer caminhadas e explorar as montanhas? As cordilheiras mais famosas do mundo oferecem paisagens soberbas e várias atividades no exterior que atraem mais viajantes a cada verão. Mas esse entusiasmo pelas montanhas tem consequências: alguns locais naturais estão a sofrer o impacto do excesso de visitas que, por vezes, perturba a vida selvagem. Ações aparentemente inofensivas podem ter um impacto significativo para os ecossistemas. Por isso, se quer fazer caminhadas nas montanhas nesse verão, veja abaixo algumas das boas práticas para aproveitar esses lugares naturalmente belos ao máximo… e limitar o impacto.

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Sabia que…? O turismo nas montanhas é muito popular. De acordo com o barômetro da Atout France Mountain, publicado no verão de 2025, 41% dos franceses visitaram as montanhas em algum momento no verão nos últimos três anos. Nos Estados Unidos, a National Geographic relata que as Great Smoky Mountains (Apalaches) recebem 11,5 milhões de visitantes todos os anos, sendo o parque nacional mais visitado do país. No Brasil, a ICMBio indica um aumento do turismo de montanha: os Parques Nacionais brasileiros atingiram o recorde de visitas no ano de 2025, com mais de 11,8 milhões de visitantes.

1. Permanecer em trilhos marcados

preservar as montanhas

Pode ser tentador sair dos trilhos marcados para admirar um cenário bonito ou tirar uma foto. Contudo, essa prática, que parece inofensiva, contribui para a degradação dos ambientes naturais.

Os desvios repetidos dos caminhos designados aceleram a erosão dos solos, enfraquecem a vegetação e criam novas marcas que encorajam outros visitantes a fazer o mesmo, agravando gradualmente a situação. Em algumas áreas protegidas, bastam algumas dezenas de desvios para danificar significativamente espécies de plantas especialmente frágeis.

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Os trilhos foram desenhados para permitir a descoberta de paisagens e limitar o impacto humano. Ao respeitá-los, pode desfrutar das montanhas sem danificá-las!

2. Não deixar nada para trás

O princípio é simples: tudo o que levar consigo, tem de trazer consigo. Não pensamos muito no assunto, mas até os resíduos biodegradáveis podem ser um problema; uma casca de banana, um caroço de maçã ou uma migalha de pão podem demorar vários meses a decompor-se a uma altitude elevada. Estes resíduos orgânicos também podem alterar os hábitos alimentares de alguns animais selvagens.

Recomendamos que tenha sempre espaço suficiente na mochila para levar os resíduos consigo, incluindo itens de pequena dimensão: lenços de papel, embalagens, pontas de cigarros ou tampas de garrafas. Isto aplica-se a resíduos orgânicos e restos de piqueniques.

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Para ir ainda mais longe: Adote o espírito de “deixar um local mais limpo do que o encontrou”.

Para além de simplesmente respeitar as regras, por que não adotar uma abordagem proativa? Muitos amantes de montanhas também recolhem lixo que encontram nos trilhos, mesmo que não tenham sido responsáveis por ele, consciencializar os seus entes queridos ou pessoas que conhecem durante as caminhadas, ou apoiam iniciativas de preservação locais.

Por exemplo, está a pensar dormir num abrigo ou casa rural? Se tiver espaço na mala, os proprietários vão apreciar se se oferecer para levar algum lixo (para além do seu) para fora da montanha, porque a logística é complexa!

3. Preparar a caminhada antes de partir

Melhores práticas nas montanhas

Preparar a caminhada parece óbvio, mas este passo nem sempre é tão valorizado como deveria ser. Algumas imagens espetaculares nas redes sociais dão a impressão de que as montanhas são um enorme parque de diversões acessível a todas as pessoas e em qualquer momento.

Mas a realidade é mais complexa. Muitas vezes, é necessária a intervenção de socorristas, quando as pessoas partiram rumo às montanhas sem ponderar a dificuldade da rota ou os riscos associados à meteorologia.

Eis algumas dicas:

  • Consultar os regulamentos locais e as características específicas do local que quer explorar.
  • Ver a meteorologia para se equipar de forma adequada.
  • Estudar a rota e avaliar o seu nível de condição física com honestidade. É melhor escolher uma caminhada adaptada às suas capacidades do que ter dificuldades a meio do caminho. (E, acima de tudo: ter cuidado com rotas geradas por IA, que já puseram em risco muitos novos aventureiros!)

Esta preparação não só garante a sua segurança, como evita intervenções de socorristas, algo que gasta recursos significativos.

4. Respeitar a tranquilidade de cada local

As montanhas são muito procuradas pelos ambientes calmos que proporcionam. Contudo, alguns comportamentos podem prejudicar esta atmosfera pacífica: pôr música a tocar numa coluna, conversas ruidosas ou drones usados sem precaução perturbam não só a tranquilidade de outros viajantes, como também, e acima de tudo, a dos animais selvagens.

Para muitas espécies, o verão é um período importante para a reprodução, cuidar das crias ou recolher reservas necessárias para o inverno. Se esses animais forem perturbados repetidamente, alguns ciclos podem ser desestabilizados, ou podem ter de gastar energia preciosa.

5. Não nadar em lagos com altitude

Melhores práticas para caminhadas

Após uma caminhada, é muito tentador nadar nas águas turquesa de um lago com altitude elevada para arrefecer e relaxar. Mas os amantes das montanhas sabem que, embora nem sempre seja oficialmente proibido fazê-lo, nadar nestes lagos não é recomendado.

O número de visitas a alguns lagos com altitude explode durante os períodos de muito calor, o que pode causar problemas rapidamente. Esses ambientes são a casa de espécies sensíveis e ecossistemas frágeis, e a qualidade da água e da biodiversidade local podem sofrer um impacto negativo devido aos protetores solares e outros produtos cosméticos, ou simplesmente pelos passos dados nas margens.

Em alguns locais naturais protegidos, existem regulamentos específicos que impõem regras ou proibições a nadar. É importante averiguar o caso específico antes de entrar na água.

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Por exemplo, desde o início de junho de 2026, nadar foi oficialmente proibido em todos os lagos dos Pirinéus (Béarn e Bigorre) a partir dos 1000 metros de altitude.* Nos EUA, as regras variam de acordo com cada extensão de água, pelo que deve sempre pesquisar antes da viagem.

6. Observar animais sem alimentá-los

Os encontros com animais fazem parte dos momentos mágicos de uma estadia nas montanhas. Mas esses momentos devem ser observações distantes: alimentar os animais selvagens é altamente desaconselhado.

Por exemplo, as marmotas são alguns dos animais mais fotografados nos Alpes. Contudo, devido ao facto de estarem habituadas a receber comida dos viajantes, estão a aproximar-se cada vez mais dos trilhos e zonas de piqueniques. Este comportamento pode parecer ternurento, mas deve ter em conta que as expõe a doenças e perigos, modifica a dieta natural e torna-as mais dependentes da presença humana.

Mesmo quando os animais parecem pedir comida, mantenha a distância e deixe-os viver naturalmente.

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Dica: Considere levar binóculos ou uma câmara com bom zoom para observar a vida selvagem sem a perturbar.

7. Respeitar as atividades agrícolas

Caminhada de verão nas montanhas

O verão é um período particularmente ativo para os agricultores nas montanhas. As pastagens montanhosas são a casa de vários rebanhos e, muitas vezes, os trilhos de caminhada passam por áreas de pasto.

Eis algumas regras básicas a seguir:

  • Fechar os portões depois de passar por eles.
  • Não perturbar animais domésticos.
  • Respeitar a propriedade privada.
  • Se estiver a viajar com um cão, consulte as regras locais. Em algumas regiões, a presença de cães pode ser proibida ou fortemente desaconselhada, de modo a proteger a vida selvagem ou evitar conflitos com rebanhos.
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É bom saber: em França, os cães grandes (muitas vezes chamados Patou ou Cães de montanha dos Pirinéus) têm um papel essencial para proteger os animais de predadores. Se se encontrar com um destes cães, deve manter a calma, abrandar o passo e, se possível, passar longe do rebanho.

8. Ter em conta a frequentação ao escolher o destino

Melhores práticas nas montanhas

Quando se fala de caminhadas nas montanhas, pensamos imediatamente em percursos icónicos, como o GR20 na Córsega, o Tour du Mont-Blanc (que atravessa França, Itália e a Suíça) ou a Milford Track na Nova Zelândia. No Brasil, o percurso mais icónico é a Travessia Petrópolis–Teresópolis, cujo acesso é limitado mediante um sistema de reservas. Contudo, ao longo dos anos, estas caminhadas tornaram-se vítimas do seu próprio sucesso, recebendo centenas e até milhares de viajantes por dia durante a época alta.

A frequentação elevada gera impacto: erosão dos trilhos, produção elevada de resíduos, ecossistemas perturbados, abrigos sob pressão… em alguns locais, tiveram de ser implementadas medidas de regulamentação.

Antes de escolher o seu destino, pergunte-se qual é a motivação do seu desejo de visitar esse local:

  • Esse local é imperdível?
  • Viu nas redes sociais?
  • Ou simplesmente sonha com espaços abertos e natureza?

As boas notícias são que as caminhadas nas montanhas não se limitam a algumas rotas famosas. O Parque Nacional Triglav, na Eslovénia, as Cheviott Hills na fronteira da Escócia, as Wallowa Mountains no Oregon ou os Vosges, a Jura, a Massif Central ou os Pré-Alpes em França, bem como a Travessia do Vale do Pati no Brasil, também proporcionam caminhadas soberbas e muito mais tranquilas.

Ao optar por um destino menos frequentado, vai poder desfrutar ainda mais daquilo que é realmente atrativo nas montanhas: o silêncio, a sensação de espaço, e o prazer de ter um trilho praticamente só para si. E vai participar na preservação dos espaços, ao distribuir o impacto do turismo de uma melhor forma pelo território.

9. Pensar antes de partilhar uma localização

As redes sociais transformaram profundamente a forma como viajamos. Uma fotografia espetacular publicada por um influencer no Instagram pode atrair milhares de visitas em apenas algumas semanas a uma localização que quase não era visitada. O volume de visitas a certos maciços, lagos, cascatas e miradouros explodiu em apenas alguns anos.

Por exemplo, os lagos de Lauvitel ou La Muzelle, no Maciço dos Écrins, experienciaram esse fenômeno nos últimos anos. A sua popularidade súbita nas redes sociais levou a um aumento significativo de visitantes, bem como um aumento de bivaques selvagens, resíduos, fogos proibidos e perturbações para a fauna local.

A ideia não é necessariamente parar de partilhar as suas memórias, mas recomendamos que o faça com critério. É aconselhável evitar partilhar a localização exata de sítios frágeis ou que não tenham bom desenvolvimento para o turismo.

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Dica: se quer inspirar outras pessoas a viajar de forma diferente e preservar a natureza selvagem de certos locais, pode simplesmente indicar qual o maciço ou a região, em vez da localização exata.

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Sabia que…?

A maioria destas boas práticas é inspirada pela filosofia “Leave no Trace” (“sem deixar rasto”). A ideia é simples: desfrutar da natureza e limitar o seu impacto ao máximo possível. Manter-se nos trilhos, transportar os resíduos, respeitar a vida selvagem e evitar degradar os locais, permitindo que as espécies naturais sejam preservadas para os visitantes seguintes… e para as gerações futuras.

Desfrutar das montanhas hoje… e amanhã

montanhas no verão

Passar alguns dias nas montanhas no verão permite-lhe reconectar com a natureza, abrandar o ritmo de vida e descobrir paisagens excecionais. Mas essa experiência também implica responsabilidade.

Mas há boas notícias: preservar as montanhas não significa não as visitar. Pelo contrário! Observar uma marmota sem a perturbar, descobrir um trilho pouco frequentado sem partilhar a localização, transportar os resíduos que encontrou no seu caminho ou dispor de tempo para conversar com os habitantes locais permite viver uma experiência mais respeitadora, e muitas vezes mais enriquecedora.

Cada um desses gestos e boas práticas contribui para preservar esses espaços naturais únicos, para que as montanhas continuem a ser selvagens, acolhedoras e bem preservadas para as gerações futuras.


*Fonte: Fédération Française de Randonnée